28 agosto 2012

Michelle Obama e a imagem da mulher negra na mídia

Imagem de Michelle Obama como uma escrava nua gera polêmica 

por Missões Quilombo

 

 


A  Revista Fuera de Serie, da Espanha,  publicou uma imagem da primeira-dama Michelle Obama, parcialmente nua. A imagem mostra Michelle Obama sentada em uma cadeira, coberta com uma bandeira americana, com um de seus seios expostos, e um lenço ao redor da cabeça. A imagem coloca o rosto de Michelle numa pintura de Marie-Guilhelmine Benoist que representa uma escrava norte-americana. 

A imagem foi criada para  ilustrar um artigo de Pablo Scarpellini que pretende revelar alguns dos segredos da mulher de Barack Obama, que é uma  figura mais popular do que o presidente da maior potência mundial. Como chamada, a revista escreve «Michelle, trisneta de uma escrava. Dona da América». Com base na velha máxima de que «por detrás de um grande homem há sempre uma grande mulher», o jornalista tenta perceber de que forma Michelle conseguiu seduzir o povo americano. 

Os peritos em comunicação política consideram mesmo que a primeira-dama será uma peça-chave para a reeleição de Obama em Novembro. A polêmica capa, feita com recurso Photoshop, tem agitado a mídia norte-americana. Para muitos afro-americanos a idéia de colocar o rosto de Michelle Obama no corpo de uma escrava tem um "significado especial": a representação de Michelle Obama a mostra como submissa e impotente. Para a articulista negra britânica, Althea Legal-Miller, devemos ser vigilantes. A história da nossa imagem na arte ocidental está profundamente enraizada em representações de nossos corpos nus ou semi-vestida. Essas imagens - em grande parte determinada por estereótipos usados para legitimar a opressão racial e de gênero - falam como uma dolorosa história de exploração e objetificação erótica, que continua a manifestar-se em múltiplos contextos em toda a diáspora negra.
(Com informação do kulturekritic.com, Diário Digital, clutchmagonline.com, Madame Noire 
Fonte Afrokut)

Discurso, Cerveja, Gênero e Raça

 CONSUMIR A QUEM?
A representação da mulher negra como objeto sexual é secular e é atualizado nesta peça publicitária com várias referências simbólicas: o vermelho (paixão), a rosa (amor), o sapato de salto fino e alto (sedução, fetiche), o vestido (sedução, erotização), meia de liga (sedução, fetiche). Porém, tudo isso quando associado ao desenho do corpo da mulher no enquadramento da foto, de costas para o(a) observador(a), com as pernas abertas (pela posição da perna esquerda), sentada inclinadamente na mesa, olhando de perfil, acentua-se a carga erótica. 

Se atentarmos bem, a literatura sempre atrelou à mulata o eroticismo, basta ver a descrição de Rita Baiana, em O Cortiço, e de Gabriela, em Gabriela Cravo e Canela. A questão é quando essa imagem associa-se ao mercantilismo, orientando o consumidor a olhar uma experiência humana com a lógica do comércio, numa previsível relação de coisificação, neste caso a sexualidade da mulher negra

Tudo isso ganha complexidade em uma cultura corporal como a baiana que muitas vezes não percebe as nuances do discurso e acaba se identificando com uma imagem ideologicamente montada para que haja uma identificação, porém para regulá-la.

A questão é: de onde parte o discurso? Como as mulheres negras se vêem nessa representação? (Fonte: http://midiaemulher.blogspot.com.br/)


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