22 outubro 2012

Monteiro Lobato! Mais um livro do autor, é suspeito de racismo!



Mais um livro de Monteiro Lobato será investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de racismo. Desta vez, “Negrinha” – adquirido em 2009 pelo Programa Nacional da Biblioteca (PNBE) do MEC, é apontado pelo Instituto de Advocacia Racial (Iara) como uma obra de conteúdo preconceituoso. A denúncia surgiu no mesmo dia em que o Supremo se reuniu para debater “Caçadas de Pedrinho”, denunciado há alguns meses atrás.

O Iara e o pesquisador de gestão educacional Antônio Gomes da Costa Neto são contra o parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE), que liberou distribuição da publicação nos colégios. O MEC defendeu que uma nota explicativa nas edições futuras seria suficiente para contextualizar a obra. Já os membros querem interromper a distribuição do livro nas escolas.

- Não diminuímos 1 milímetro sequer do pedido inicial. As políticas públicas não estão de acordo com a realidade. Achamos que estão sendo feitas, mas é muito pouco – disse o advogado do Iara, Humberto Adami, que está disposto a acionar cortes internacionais. – O negro não pode ser visto como eterno escravizado. Vamos buscar a Organização dos Estados Ibero-americanos (OEA) no caso de não conseguirmos resolver no Poder Judiciário brasileiro essa questão.

As informações da reunião serão encaminhadas ao ministro Luiz Fux, do Supremo, que também deverá decidir sobre o tema.

Para muitos estudiosos da obra de Monteiro Lobato, o conto “Negrinha”, publicado em livro do mesmo nome no ano de 1920, é uma denúncia do autor contra as desigualdades entre negros e brancos. Mas o Iara vê na obra traços de racismo. Na representação, o instituto afirma que “o texto demonstra que a prática de lesões físicas contra os negros (escravizados) além de costumeiro, não trazia qualquer constrangimento” e que “o objetivo do conto não é denunciar o racismo, ou mesmo desconstruí-lo, trata-se da realidade que o autor e a sociedade da época tem para com relação ao negro”.


Um trecho de “Negrinha

“Damião olhou para a pequena: (Lucrécia) era uma negrinha, magricela, um frangalho de nada, com uma cicatriz na testa e uma queimadura na mão esquerda. Contava onze anos. Negrinha era uma pobre órfã de sete anos. [...] Assim cresceu Negrinha – magra, atrofiada [...] O corpo de Negrinha era tatuado de sinais, cicatrizes, vergões.

Caçadas de Pedrinho

Publicado em 1933, “Caçadas de Pedrinho” relata uma aventura da turma do Sítio do Picapau Amarelo à procura de uma onça-pintada. Entre os trechos que justificariam a conclusão de racismo estão alguns em que Tia Nastácia é chamada de negra. Outra parte diz: “Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou que nem uma macaca de carvão”.


Em 2010, o CNE chegou a determinar que “Caçadas de Pedrinho” não fosse mais adotado, mas voltou atrás depois de o MEC pedir ao conselho que reconsiderasse a decisão. O CNE indicou, então, que as novas edições da obra apresentassem uma nota técnica que instruísse o professor a explicar o livro no contexto histórico em que foi escrito. A posição do governo é contrária à censura ou suspensão do livro.  Fonte http://www.revistaafro.com.br

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