12 outubro 2013

Alice Ruiz, a poeta leu seus textos na Feira de Livros! Poemas para ouvidos alemães!

Manoella Barbosa / Gazeta do Povo / Alice Ruiz no pavilhão do Brasil montado na Feira de Livros de Frankfurt
Alice Ruiz no pavilhão do Brasil montado na Feira de Livros de Frankfurt
A poeta paranaense Alice Ruiz apresentou-se ontem na Feira de Livros de Frankfurt, maior evento editorial mundial que, em sua 65.ª edição, tem o Brasil pela segunda vez como país homenageado. A curitibana leu alguns de seus poemas, entre eles “Sem Receita”, fruto de uma parceria com o músico e ensaísta José Miguel Wisnik e “Sem Palavras”.
Após a leitura dos textos, ela respondeu à perguntas do público de cerca de 50 pessoas, em sua maioria brasileiros. Um dos presentes pediu a definição de poesia segundo a vencedora do Prêmio Jabuti de Poesia de 2009. Alice não precisou de muito tempo para responder: “Eu consigo identificar o que não é poesia”, enfatizando a palavra “não”.
Família barra obra sobre Leminski
Esgotada nas livrarias, a biografia do poeta curitibano Paulo Leminski (1944-1989), de autoria do escritor Toninho Vaz, não poderá ser publicada novamente. A poeta e viúva de Leminski, Alice Ruiz, e suas filhas, Estrela e Aurea, querem impedir a publicação da quarta edição do livro Paulo Leminski – O Bandido que Sabia Latim.
O livro, publicado pela primeira vez em 2001, foi autorizado por Alice. A viúva não teve participação nos direitos autorais da obra.
Para a produção da obra, Vaz afirma ter feito pesquisas durante um ano e realizado 81 entrevistas.
A redação da biografia, que seria publicada desta vez pela editora Nossa Cultura, de Curitiba, sofreria apenas uma modificação nesta edição: um parágrafo com o relato de um morador da pensão onde Pedro, irmão de Leminski, morava. Foi o vizinho de quarto de Pedro quem encontrou seu corpo quando ele se suicidou, em 1986.
As três familiares de Leminski enviaram à editora uma correspondência informando que não autorizavam a publicação da nova edição por causa do enfoque “depreciativo à imagem do retratado e seus familiares”. Quando recebeu a carta, a editora cancelou a publicação.
Vaz planejava entrar nesta semana com uma interpelação judicial no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, pedindo esclarecimentos à família. Quer saber o que é depreciativo na obra. O autor, segundo afirmou, deverá entrar também com uma ação por danos morais e materiais.
As filhas do poeta afirmam que barraram a publicação por causa do novo trecho. Via Facebook, Estrela questionou: “Qual é a relevância de detalhes sórdidos do suicídio para uma biografia dele? Que relevância tem para a obra? Ou seria para dar um molho e vender mais?”
“Pedro foi muito importante para a história do Paulo, ensinou o irmão a tocar violão”, diz Vaz. “Não é sensacionalismo. A morte do Pedro foi uma tristeza para mim. Se quiserem, tiro esse novo trecho. Mas é vil ter que tirar. É censura”, afirma Vaz.
O conflito entre as herdeiras e o biógrafo, que era amigo do poeta, é mais um capítulo no debate sobre a publicação de biografias, que esquentou com o apoio de músicos como Caetano Veloso à exigência de autorização prévia para a publicação.
Folhapress
No bate-papo com o mediador – o poeta e jornalista franco-brasileiro Hélio Ferraz – Alice discorreu sobre a relação entre poesia e musicalidade, entre texto e música, citando alguns de seus parceiros musicais, como Luiz Tatit e Arnaldo Antunes. “Gosto de trabalhar com artistas que atrevem-se ao inusitado”. A poeta de 67 anos disse gostar de “música para se ouvir do quadril para cima”, e não a que costuma tocar nas rádios brasileiras.
A escritora deferiu sobre a forma poética haicai, método característico por valorizar concisão e objetividade. Bem-humorada, Alice ressalvou: “É na métrica rígida do haicai que eu deveria me disciplinar”, e, após uma pequena pausa: “mas eu sou indisciplinada, felizmente”. Alice apresentou-se juntamente com o poeta, e contista carioca Paulo Henriques Britto
Equívoco
A poeta falou também sobre os discursos do escritor mineiro Luiz Ruffato e do vice-presidente da República, Michel Temer, na abertura da feira alemã, na última segunda-feira, 8. A fala de Temer foi, para ela, “um equívoco que o vice-presidente cometeu”. E prosseguiu: “Foi vergonhoso. A insegurança dele após a fala do Ruffato ficou evidente. Foi como tratar o público presente como burro”.
O discurso do escritor centrou, na opinião dela, em “uma questão mais política do que cultural”. A autora receia que a fala de Ruffato possa ter “desviado a atenção do que viemos mostrar e trocar aqui: literatura”.
Uma Alice
Alice não conhece de perto o trabalho de outra Alice, também escritora: Alice Munro, a canadense vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 2013. O interesse porém é grande: “ Parece ser uma escritora que ocupa-se com temas voltados ao perfil da mulher. E isso me agrada muito. Finalmente uma mulher delineando os perfis da mulher, e não mais os homens”. E finaliza: “Uma Alice ganhou o Prêmio Nobel de Literatura falando sobre a mulher. Ótimo!”

Queda de braço - Autor usou fatos sórdidos, dizem filhas do poeta
Para Estrela Ruiz Leminski e sua irmã, Aurea, o escritor Toninho Vaz incluiu fatos sórdidos sobre o suicídio de Pedro Leminski, irmão de Paulo, na quarta edição da biografia Paulo Leminski – O Bandido Que Sabia Latim.
“Somos contra a exploração de fatos que nada ajudam a elucidar a importância de Paulo Leminski na cultura brasileira”, diz Aurea. “Não é ser chapa-branca, é ser contra a imprensa marrom.”
“Vejo que estão crucificando o Caetano e esquecendo que o mesmo argumento deveria valer para os dois lados. Deveríamos defender o bom senso tanto do biógrafo, para inserir fatos, quanto das famílias, para garantir que o público tenha acesso a tudo o que for relevante da obra em questão”, afirma Estrela.

src="715897">Alice Ruiz ficará até a próxima terça-feira, 15, na Alemanha. Depois embarca para o Brasil, onde participará do Festival de Poesia de Curitiba entre os dias 21 e 27 de outubro.
Fonte http://www.gazetadopovo.com.br/c

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