18 outubro 2014

França examina passageiros, e Obama pede que americanos não cedam à histeria por Ebola


 


A França realizava neste sábado os primeiros exames em passageiros provenientes de um país do oeste africano afetado pelo Ebola em meio a um contexto de preocupação na Europa e nos Estados Unidos, onde o presidente Barack Obama pediu que a população "não ceda à histeria".
Depois do último registro da epidemia ter mostrado que a doença continua a avançar, com 4.555 mortes em 9.216 casos - principalmente na Libéria, em Serra Leoa e na Guiné -, de acordo com os últimos números divulgados na sexta-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a ONU e o Banco Mundial manifestaram grande preocupação com a falta de solidariedade internacional com os países africanos afetados.
Pela primeira vez, os passageiros do voo diário da Air France ligando a capital guineana Conacri a Paris foram examinados com um termômetro a laser para detectar eventuais casos de febre, em sua chegada ao aeroporto de Paris-Charles de Gaulle.
Este controle, já em vigor na Grã-Bretanha e em vários aeroportos americanos, foi realizado apenas no voo proveniente de Conacri, única ligação direta entre a França e um dos três países da África Ocidental mais atingidos. Nenhum caso confirmado de Ebola foi registrado até o momento na França.
Refletindo a intenção de várias autoridades mundiais de evitar a psicose, o presidente Barack Obama pediu neste sábado que os americanos não "cedam à histeria ou ao medo", pedindo que confiem nos fatos e resistam à tentação de restringir os voos em direção ou provenientes da África Ocidental.
O país não enfrenta uma "epidemia", garantiu o presidente dos Estados Unidos, onde duas enfermeiras foram infectadas e um paciente liberiano - que voltava de seu país - morreu vítima do vírus. Mas Obama admitiu que novos casos "isolados" podem ser detectados.
Com o objetivo de acalmar a população americana, Obama nomeou na sexta-feira um coordenador, o advogado Ron Klain, para garantir que "os esforços para proteger os americanos, detectando, isolando e tratando os pacientes de Ebola, sejam coordenados".
Mas o medo de um contágio em massa pelo vírus avança no mundo, apesar dos apelos à calma e dos controles reforçados em vários países.
As autoridades portuárias mexicanas não permitiram na sexta-feira que um transatlântico fizesse escala em Cozumel em razão da presença a bordo de uma integrante de uma equipe médica de um hospital texano que pode ter entrado em contato com o paciente liberiano que morreu de Ebola em Dallas no dia 8 de outubro.
Na França, sindicatos de comissários de bordo da Air France exigiram "o fechamento do serviço de Conacri" devido à preocupação causada pelo "grave risco de propagação da epidemia". Eles querem que sejam seguidas as medidas adotadas por outras companhias (British Airways e Emirates) de suspender os voos para Conacri.
A única informação positiva está relacionada ao Senegal, que, depois de ter registrado o seu último caso há mais de 40 dias, não é mais considerado pela OMS um país afetado pelo Ebola. O mesmo anúncio deve ser feito em relação à Nigéria, que registrou 20 casos, com oito mortes.
Mas a ajuda não está chegando, o que levou a ONU e o Banco Mundial a fazerem um pedido para que as promessas internacionais de auxílio financeiro e humano sejam transformadas em ação.
"Estamos prestes a perder a batalha" contra o vírus, lamentou na sexta-feira em Paris o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim.
"Alguns países não estão preocupados com suas próprias fronteiras", o que é "muito preocupante", segundo Kim, que considerou que "ainda não se adquiriu a consciência da solidariedade necessária" em nível internacional.
As Nações Unidas receberam até o momento 377 milhões de dólares dos 988 milhões solicitados, ou seja, 38%, indicou na sexta-feira um porta-voz da OCHA (Agência de Assuntos Humanitários da ONU) em Genebra.
O porta-voz da OCHA, Jens Laerke, disse, no entanto, neste sábado à AFP que o valor da ajuda reunida em apenas um mês é um sinal positivo: "É estimulante ver o valor e a rapidez com que essas quantias foram conseguidas", disse.
Já o fundo especial da ONU criado para a emergência sanitária, o "Trust Fund",recebeu apenas 100.000 dólares dos 20 milhões solicitados.
Em resposta a esse apelo, o governo canadense, que havia anunciado uma contribuição de 30 milhões de dólares canadenses (pouco menos de 27 milhões de dólares) no mês passado, comprometeu-se na sexta a enviar mais 30 milhões.
O Programa Alimentar Mundial (PAM) anunciou na sexta o início imediato da distribuição de ajuda a 265.000 habitantes de Freetown, capital de Serra Leoa.
A Comunidade do Leste da África (EAC, na sigla em inglês) decidiu enviar mais de 600 profissionais de saúde, incluindo 41 médicos, para o oeste do continente.
Londres enviou para Serra Leoa um navio militar especialmente equipado que deve chegar em duas semanas a Freetown. No total, o Reino Unido pretende reunir 750 militares na ex-colônia para atuarem na construção de centros de tratamento.
AFP   18 de outubro de 2014 • 11h45

 

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