04 dezembro 2014

RESENHA CRÍTICA: “O Pensamento Político Brasileiro Contemporâneo (1970-2011)” de Ricardo Vélez Rodríguez



FAC - Faculdade Curitibana
Bacharelado em Direito 

Disciplina: Ciência Política
Prof. Cláudio Vicente


Ricardo Vélez Rodríguez
Coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas 
da Universidade Federal de Juiz de Fora.
Professor Emérito da Escola de Comando e Estado Maior do Exército (ECEME) – Rio de Janeiro.

O artigo “O pensamento político brasileiro contemporâneo” de Ricardo Vélez Rodríguez  começa com uma breve exposição da trajetória acadêmica do autor, para imediatamente dirigir-se aos arquétipos do pensamento político brasileiro. Eles são por um lado, um sistema inacabado e em mudanças constantes (Oliveira-Freyre) e por outro um sistema denominado como “matriz dicotômica” palavras que sinaliza a sociedade como uma estrutura conformada por seus elementos antagônicos, explicando a natureza dialética da mesma (Fernandes-Prado Júnior). O articulista enfoca seu pensamento a continuação para a enumeração de oito linhas de pensamento que segundo ele tem relação de dependência com os sistemas explicativos já mencionados.

As oito linhas são:
1) a escola weberiana brasileira.
2) o liberalismo.
3) o conservadorismo e tradicionalismo.
4) a escola de Frankfurt
5) a socialdemocracia.
6) a teologia da liberação e doutrina social da igreja católica.
7) o socialismo, marxismo, lulopetismo e movimentos sociais.
8) o pensamento estratégico.

Com a escola weberiana brasileira Rodríguez Vélez refere-se aos autores que continuam com os aportes de Raimundo Faoro  em relação ao “patrimonialismo” na formação da sociedade brasileira sinalizando a muitos pensadores como Schwartzmann, Paim, Wanderley dos Santos e mais recentemente Meira Penna, o próprio articulista Vélez Rodríguez e Jessé Souza, estabelecendo os pontos de conexão com a corrente filosófica preconizada por Max Weber. 
A segunda linha o liberalismo, o autor o enxerga nas obras de Miguel Reale, que se inspirariam fortemente nos elementos libertários de Aléxis de Tocqueville, assim como a poderosa obra de Keynes e outros economistas do mesmo perfil. Menciona depois o autor à Campos e a Spencer Maciel continuando com a exaustiva análise dos fundamentos desta linha do pensamento, assim como uma série bem extensa de pensadores que desenvolvem as teorias do liberalismo na estrutura em conformação da sociedade brasileira e seus elementos sociopolíticos constitutivos. 
Na terceira linha de pensamento, o conservadorismo Vélez Rodríguez menciona à quatro autores: Ferreira da Silva, Crippa, Mercadante e Carvalho, que se dirigem aos componentes simbólicos e mitológicos que vão se incorporar na matriz social brasileira, assim como outros que o articulista menciona posteriormente em erudito fluxo. 
A quarta linha é a escola de Frankfurt que no Brasil tem como representantes a Vamireh Chacon e a Sérgio Paulo Rouanet, este último tradutor da obra de Walter Benjamin. Os pensadores acima mencionados preconizam pela preservação de determinados valores culturais universais, em detrimento de uma exagerada valoração do relativismo axiológico. 
Já na quinta linha de pensamento, a social democracia, não é difícil de adivinhar que uns dos principais representantes é o Fernando Henrique Cardoso, assim como José Serra, Carlos Enrique Cardim, Jaguaribe e Magnoli entre outros. O pensamento e a condução da política brasileira durante dois períodos do atual ex-presidente FHC foi abrangente e característico dos princípios fundamentais da social democracia, constituindo o Plano Real um dos principais "logros" na contenção da inflação e na consecução de uma política econômica mais estável e com perspectivas reais de crescimento.
A sexta linha do pensamento faz referência a teologia da liberação que causou comoção em Roma e que agora tem alguns de seus "leitmotivs"  representados na atual condução da igreja do papa Francisco. A teologia da liberação é uma reação filosófica - política que se origina na América Latina para tentar voltar às origens realmente cristãs dos representantes de uma igreja que estava perdendo adeptos em todo o mundo com uma velocidade apavorante. Aqui no Brasil o articulista menciona à Boff, Lima Vaz e frei Betto, que foi ministro no primeiro governo de Lula. 
A mudança do lugar teológico, a luta dos oprimidos contra os opressores e a noção do pecado já não enfocado como uma ação individual. O pecado é então uma ação social, onde a mudança do status quo é fundamental para a erradicação do mesmo.
A sétima linha do pensamento já aciona as teorias revolucionárias de esquerda, o socialismo em geral com a visão marxista e os novos enfoques durante a gestão do Partido dos Trabalhadores, de Lula da Silva e as consequências dos movimentos sociais espalhados em todo o Brasil. O autor do artigo deixa enxergar sutilmente seu desconforto com as práticas e o exercício do poder que o PT, Lula e agora Dilma Rousseff levam adiante na política brasileira.
A oitava e última linha do pensamento considerada pelo articulista Vélez Rodríguez faz referencia ao pensamento estratégico que o autor remonta já aos primeiros tempos da invasão lusitana no Brasil, assegurando com grande habilidade a expansão territorial e a estabilização do poder político em meio de circunstâncias políticas e históricas muito tumultuadas.  A extensa bibliografia contida no articulo do autor é de grande ajuda para quem deseja ter uma clareza marcante nos temas por ele conduzidos, sinalizando a profunda erudição que é demonstrada e também certa inclinação ideológica e política que emana da neutralidade do artigo analisado.

                                                                           Kelly C. dos Santos
1º Semestre

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