11 agosto 2015

ALBERTO GIACOMETTI: E A NATUREZA ABSOLUTA NAS ESCULTURAS


"Alberto não se preocupava com o quadro como uma obra isolada, objetiva, a ser apreciada como tal. Isso só interessava a mim. Ele só olhava o quadro como um subproduto, por assim dizer, de sua luta sem fim para retratar não simplesmente um indivíduo, mas a realidade."

James Lord

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A arte do suíço Alberto Giacometti pode ser analisada em diversas frentes. Todas profícuas e fomentadoras de discussões. Do cubismo – ambiente este contemporâneo ao seu próprio nascimento – na comunidade de Stampa em 1901 – Ao primitivismo. Este discutido e praticado por inúmeros artistas ao redor do mundo. Desde conceitos primitivistas debatidos nos séculos anteriores à própria noção de africanismo e retorno às artes mais genuínas na outra ponta. Após o estudo na faculdade de Belas artes de Genebra - o filho do pintor pós-impressionista Giovanni Giacometti - começa as viagens que o levaria à estruturação de sua identidade.

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Na Itália, no início dos anos 20, o contato com a obra ímpar do veneziano Jacopo Robusti (Tintoretto) – apenas para ficar nestes – e intensas viagens pelo país vão moldando o olhar de Giacometti pela renascença. Posteriormente a estas experiências - o jovem pintor e escultor suíço - desembarca em Paris, mais precisamente no bairro de Montparnasse para estudar na fantástica escola de arte La Grande Chaumière sob os cuidados do mestre francês Émile-Antoine Bourdelle.

‘La Grande Chaumière’ foi um importantíssimo polo de jovens artistas – de vários países – no início do século XX. Fundado pela suíça Martha Stettler, teve em Antoine Bourdelle um dos seus mais nobres lecionadores. Este, um dos expoentes da chamada Belle Époque e um dos maiores pintores francesas da primeira metade daquele século. Ensinou na lendária academia de artes francesa até 1929.

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Ainda na França, os anos 20 foram de profusão para a criação e as revoluções estéticas impregnadas naquele século. André Breton já havia publicado o manifesto surrealista (1924) e Alberto Giacometti começaria a ter contato com a atmosfera efervescente daqueles anos e os pensamentos oníricos de gente como Max Ernst e Joan Miro. Além do contato com o icônico Pablo Picasso.

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Deste intenso contato nascem algumas exposições onde são apresentadas algumas das primeiras obras primas de Giacometti. Le Couple e Boule Sospendue às colaborações com o próprio Breton. Neste período, incapaz – segundo ele mesmo – de esculpir com fidelidade a natureza humana, mergulha suas experimentações no imaginário surrealista. Estas incursões vão até a morte do pai no início da década de 30.

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O artista rompe com as frentes surrealistas e continua a trabalhar em seu ateliê em Paris. Intermeio em que trava uma busca por uma identidade artística – em sua obra – que captasse, como um escultor-retratista, uma essência – talvez – absoluta do homem. Nestes instantes começava a fecundar o estilo mais alongado da arte do mestre. A fragilidade solitária do humano e os anos também de reclusão, a segunda grande guerra, as idas e vindas à Suíça, sua mãe e sua identidade.

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Já nos anos 40 - Annette Arm - que Giacometti conheceu na Suíça - torna-se uma grande inspiração e sua mulher até o fim da vida. Outro modelo para Giacometti foi seu irmão Diego. Neste, o artista trabalhou mais ainda sua investigação essencialista. Pinturas, desenhos e formas que ganhariam uma de suas primeiras exposições na Galeria Pierre Matisse com direito a ensaios do grande filósofo francês e do pensamento existencialista, Jean Paul Sartre.
Esta exposição realizada em 1948 trouxe dois entusiasmados ensaios de Sartre – impregnado sobre a obra de Giacometti – e ciente de sua identificação como uma arte que dialogava com as construções existenciais de “O ser e o Nada” lançado do Sartre cinco anos antes.

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Os ensaios ‘A busca do absoluto’ e ‘As pinturas de Giacometti’ tratam de uma análise sobre o imaginário criador de Alberto. No primeiro, Sartre escreveu sobre e evolução histórica da escultura. Os antigos cadáveres – alguns sem vida – eram agora, na obra Giacometti, segundo Sartre - o encontro do absoluto. Não a eternidade física e sim - como toda a humanidade - sua temporalidade. O efêmero sopro de vida paralelo à atemporalidade da arte.
No ensaio ‘As pinturas de Giacometti’, Sartre versa sobre o vazio na obra de Giacometti. A distância entre nós e a escultura como ponto ideal de visualização dimensional da própria razão filosófica desta arte. Ao passo que, a aproximação com uma possível real dimensão de uma estética intrínseca a nós como expectadores de um objeto estático no tempo, não menos, intemporal.

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Os anos cinquenta trouxeram de volta às evidências da arte de Alberto Giacometti para o grande público. Particularmente as Bienais de Veneza foram importantes para esta constatação. Neste período também surge os trabalhos Femme de Venise com barro e gesso e o apoio assistencial do irmão Diego. Que continuava sendo seu modelo, além de Yanaihara Isaku (1918-1989), um amigo, filósofo japonês e também modelo durante anos de Giacometti. É dele um dos mais importantes livros sobre o escultor suíço. Um livro de memórias sobre aquela época, Yanaihara Isaku, Avec Giacometti, pela editora Allia. Outras obras importantes sobre o artista são ‘L'Atelier d'Alberto Giacometti’ de Jean Genet (éd. L'Arbalète, 1958) e ‘Un Portrait par Giacometti’ de James Lord (éd. Gallimard , 1991).
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A arte de Alberto Giacometti lhe rendeu grandes exposições, prêmios diversos e foi de grande inspiração para a escultura do século XX. Considerado o maior escultor surrealista da história - na verdade - Giacometti foi muito mais além. Alguns estudiosos viram na sua arte um passo à frente na então estética escultural clássica. 

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As estruturas tênues, alongadas, os braços finos - homens isolados em petrificações paradoxalmente cheia de vida – mesmo que esta - fosse em muitos casos, vazia existencialmente e distante - não da realidade e sim da própria realidade da escultura. Um sobre salto mágico e filosófico. Entretanto, adequada às nossas profundas questões filosóficas. Nossos dilemas pessoais e nosso dialogo com o tempo-espaço. 

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Alberto Giacometti faleceu em 11 de janeiro de 1966, em Chur e foi enterrado ao lado de seus pais em Borgonovo-Stampa. Em 1986 a viúva Annette Giacometti começou a trabalhar na criação de uma fundação. Assim nasceu anos depois a Alberto et Annette Giacometti que desde 2003 - oficialmente - passou a fazer parte do ministério da cultura da França. Estava mais do que Reconhecido a utilidade pública da Instituição e mais, o legado cultural e imprescindível de toda a obra do mestre Giacometti.

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