01 outubro 2016

Miss Brasil 2016: Universo um pouco menos desigual

Divulgação


Renata Werneck renata.werneck@jornaldebrasilia.com.br


Em um país onde mais da metade da população se declara negra, espera-se que essas pessoas sejam representadas em todos os aspectos sociais. Nem sempre é isso o que acontece, mas, timidamente, surgem mudanças. O concurso Miss Brasil deste ano, que ocorrerá neste sábado, tem a maior quantidade de candidatas negras da história: seis vão concorrer com mais 21 mulheres ao título de mais bonita do País. Até o momento, apenas uma negra venceu.
As candidatas deste ano representam Bahia (Victoria Esteves), Espírito Santo (Beatriz Leite Nalli), Maranhão (Deise D’Anne), Paraná (Raissa Santana), Rondônia (Mariana Theol) e São Paulo (Sabrina Paiva). Segundo o IBGE, 54% dos brasileiros se consideram pretos ou pardos. Ainda de acordo com a pesquisa, 26% da população brasileira é formada por mulheres que se declaram negras.




Nossa representante
No Miss Brasil 2015, Amanda Balbino defendeu o Distrito Federal e foi a única negra na maior competição de beleza do País. “A representatividade é importante para que as pessoas que estão aqui saibam que elas também têm um lugar lá fora e que elas podem ocupar esse espaço, porque também é delas”, afirma a modelo.
Para a miss, o brasileiro ainda não aceita sua diversidade e os vários tipos de beleza que compõem a nação e, por isso, demorou tanto para que uma negra fosse eleita Miss Brasil. Deise Nunes foi vencedora, em 1986.
Na avaliação de Amanda, o brasileiro se inspira em outros países e esquece de olhar para dentro. “Eu acho que demora não porque somos incapazes, mas porque as barreiras vêm antes”, diz ela ao afirmar que, até mesmo nos concursos de menor visibilidade, negras, índias e mestiças são barradas por não serem consideradas belas o suficiente para chegar à final.
Com tantas portas fechadas e dificuldades impostas, muitas desistem de seguir seus sonhos. Amanda diz ter duvidado do seu potencial já que, em meio a tantas críticas do mundo dos concursos, deixou de se sentir forte. “Eu, por muito tempo, esqueci do que era importante pra ser feliz”, desabafa.
No universo da moda, chegaram a pedir que Amanda alisasse o cabelo e afinasse o nariz. “Mas ter consciência da minha beleza, do meu potencial e das minhas metas fez com que não me sujeitasse e aceitasse qualquer comentário”, conta. “Falando de medidas, a pessoa pode até tentar emagrecer, se ajustar, mas os traços são imutáveis”, completa.
Para a modelo, o importante é ter confiança no próprio potencial no meio de tanta crítica. “No passado, eu tinha essa vontade de chegar até o final do concurso para insistir e mostrar pra cada princesa negra que ela poderia chegar lá. Neste ano, eu tenho certeza de que elas vão ver porque as negras estão com toda a força, com todo o poder e estão em peso. Sinto imensa gratidão”, alegra-se.
Saiba mais
Segundo Amanda, trazer mulheres com características diversas minimiza a diferença entre o que é considerado belo e a real característica da população. Assim, quem está em casa
se sente bonita, representada e capaz
de chegar lá.
“Quando você coloca na televisão essas mulheres que são consideradas belas e elas são sempre do mesmo padrão, você acaba passando a mensagem de que quem não é daquele jeito deve se adequar àquele padrão para ser considerada bela também”, afirma a modelo.
Racismo no cenário da moda
A modelo Amanda Balbino já presenciou e sofreu racismo no cenário da moda. Profissionais chegaram a afirmar que cabelo cacheado não era elegante e que não tinham maquiagem específica para a pele negra, caso este que ela viveu, inclusive, durante o confinamento do Miss Brasil 2015. As candidatas iriam participar de um desafio de maquiagem e os patrocinadores não forneceram produtos para seu tipo de pele.
“Na caixinha, todos os utensílios eram para pele clara. Pedi, então, que fosse trocado para pele escura e eles falaram que não tinham. Eu fiquei pensando como lançam uma linha de maquiagem no maior concurso de beleza do Brasil e não tem nada para a pele negra, sabendo que as brasileiras são tão diversas”, reflete. Mesmo sem os produtos adequados, a modelo ganhou o desafio e pôde sugerir que tais materiais fossem acrescentados à linha.
No início, amigos e familiares falavam que seria um diferencial ela ser a única negra da competição, e, assim, teria mais chances de ganhar. Porém Amanda disse ter se sentido triste. “Eu só conseguia pensar: ‘Que concurso era esse que a gente nem chega perto?’. Não era só questão do resultado. As mulheres negras não podiam ser eleitas porque elas não estavam lá.”
“Era 1/27 de chance de uma negra ser a Miss Brasil. Eu queria ter outras irmãs ali do meu lado, e assim, a gente teria mais chances de ganhar esse concurso que tem visibilidade no país inteiro. Eu, na verdade, me senti em desvantagem e desvalorizada.”
Amanda de diz orgulhosa da maior representatividade negra neste ano: “Ainda falta mais, mas estou extremamente feliz”.



 http://www.jornaldebrasilia.com.br/cidades/miss-brasil-2016-universo-um-pouco-menos-desigual/

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